*Reabilitação do edifício histórico criou quatro apartamentos. Contratos de arrendamento de três habitações foram assinados a 9 de outubro. O investimento global é estimado em 2,11 milhões de euros.*

A Casa das Talhas, na Rua Fernandes Tomás, na Baixa de Coimbra, vai receber novos moradores após a reabilitação que criou quatro habitações nos pisos superiores do edifício histórico. A Câmara Municipal assinou, a 9 de outubro, os contratos de arrendamento acessível de três dos apartamentos, numa sessão pública presidida por Ana Abrunhosa.

A intervenção permitiu construir quatro habitações duplex — três T3 e um T2 —, das quais três serão agora ocupadas ao abrigo deste regime de arrendamento. O programa de reabilitação prevê também um estabelecimento de restauração e bebidas no rés do chão e uma galeria ou espaço museológico, que se estende à cave e à subcave.

Na sessão, a presidente da Câmara de Coimbra afirmou que a entrega das habitações concretiza três objetivos: “recuperar património, criar habitação e devolver este espaço à vida da cidade”. Ana Abrunhosa acrescentou que a Casa das Talhas “passa também a ter novas histórias para contar”, associando a preservação do imóvel à sua utilização pelos moradores.

## Vestígios de vários períodos históricos

Parcialmente implantada sobre a muralha medieval, a Casa das Talhas integra o núcleo urbano antigo de Coimbra. O imóvel incorpora troços de muralha e de uma torre da antiga Cerca de Coimbra classificados como Monumento Nacional e está abrangido por zonas de proteção de vários bens patrimoniais, entre os quais a Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO.

A estrutura do atual edifício terá sido construída no século XVII, hipótese sustentada pelos elementos azulejares e pela data de 1652 inscrita numa das talhas. O imóvel conserva, contudo, vestígios de diferentes épocas, incluindo testemunhos de ocupação manuelina, uma torre de provável cronologia pré-islâmica, estruturas da Cerca Medieval e um tanque ou reservatório de água de origem romana.

A preparação da obra incluiu sondagens arqueológicas e um estudo histórico-artístico, que orientaram as opções de intervenção.

## Habitações adaptadas à estrutura existente

A organização dos apartamentos teve de respeitar as paredes-mestras, a compartimentação preexistente e o número reduzido de aberturas para o exterior. Para assegurar iluminação e ventilação naturais, foram introduzidas soluções na cobertura e através de lanternins.

A madeira foi utilizada como um dos principais materiais estruturais dos pisos e das escadas. No lado sul do edifício, a degradação da antiga escada de madeira impediu a sua conservação, mas o lanternim que a encimava foi restaurado e mantido na posição original. Sob esse elemento foi construída uma nova escada de acesso a um dos apartamentos duplex.

A cobertura manteve a geometria original e voltou a receber telha cerâmica. Nos interiores foram utilizados soalhos de pinho, mosaicos hidráulicos nas cozinhas e casas de banho, portas de madeira maciça e rodapés tradicionais, a par de soluções de isolamento térmico e acústico.

Nos pisos inferiores, onde se concentram alguns dos elementos arqueológicos mais relevantes, foram preservados troços de paredes de pedra à vista e criadas condições para facilitar a visita e a interpretação do conjunto histórico.

## Investimento estimado em 2,11 milhões de euros

A empreitada principal decorreu entre 2022 e 2025 e teve um valor de cerca de 1,76 milhões de euros. Segundo a ficha técnica da intervenção, o investimento global estimado ascende a 2,11 milhões de euros, incluindo projetos, serviços, fiscalização, arqueologia e trabalhos de conservação e restauro.

Durante a sessão, Ana Abrunhosa reconheceu ainda o contributo dos anteriores executivos municipais, dos serviços da autarquia, dos projetistas e das equipas envolvidas nas diferentes fases da recuperação.

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