PCP da Figueira da Foz comenta plano de obras de Santana Lopes

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A Comissão Concelhia da Figueira da Foz do Partido Comunista Português emitiu a seguinte opinião a propósito de entrevista recente [Dez e 10 e Diária As Beiras] do Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que deu a conhecer um vasto plano de intenção de obras a realizar.

Passamos a transcrever o texto na íntegra:

«1. Numa primeira consideração em relação ao anunciado, é “curioso” constatar a unanimidade do Executivo e dos vereadores da oposição quanto às mesmas. Este facto coloca-nos as seguintes questões:

Por que é que o referido plano não foi sequer considerado no mandato do anterior Executivo?

Foi por falta de imaginação, falta de meios, falta de vontade? Ou tratou-se simplesmente de arrogância de quem (antecipadamente) esperava ganhar as eleições?

2. Oferece-nos uma segunda consideração: os projectos agora apresentados, à primeira vista “simpáticos”, serão de facto prioritários?

Do nosso ponto de vista, não! Em nossa opinião, prioritária é a recuperação das arruinadas ruas da zona antiga da Figueira da Foz. Prioritária é uma opção séria de combate ao assoreamento e desassoreamento do rio e da foz do Mondego. Prioritário é o projecto de transportes públicos, rodoviários e ferroviários, um plano que sirva de facto não só a população residente mas também os que, vindo de fora, pretendem aqui chegar e usufruir da cidade e do concelho. Neste momento o transporte próprio assume-se como praticamente a única alternativa! E tal é inaceitável! Transportes públicos condignos e com horários adequados às necessidades das pessoas, constituiriam um motivo de atracção para os visitantes e um apelo forte à fixação de novas populações na nossa área geográfica.

3. Uma terceira consideração nos ocorre: Neste projecto de obras apresentado, onde páram preocupações sobre o a qualidade da rede de cuidados de saúde primários do concelho, e sobre as condições de acesso aos mesmos por parte da população, nomeadamente a mais vulnerável?

Onde para a sempre propalada necessidade de implantação de uma unidade de cuidados e paliativos, sempre na crista onda aquando de alturas eleitorais? Este tipo de serviço assume-se, a cada momento que passa, como mais necessário e urgente. (Agora, “vozes dispersas” apontam o antigo colégio das freirinhas, em Tavarede, como futura unidade dedicada ao acompanhamento de doentes em situação de doença prolongada ou em fase terminal das suas vidas. Até já soam nomes para a direcção da unidade mas tudo isto “fora” do tal plano pomposamente anunciado.)

4. Mas colocam-se outras interrogações:

Onde se apresentam as necessidades de melhoramento do parque escolar?

Como se intervirá na monItorização da alimentação das crianças e jovens das escolas, frequentemente de duvidosa qualidade, por via da entrega destes serviços a entidades externas, “matando” os refeitórios de responsabilidade da tutela. (Estes funcionaram sempre de forma mais equilibrada, muitas vezes exemplar mesmo).

5. Num concelho que detém um importante património natural, onde se “escondem” as preocupações com a sua defesa?

A mesma pergunta se põe em relação ao apregoado projecto Aldeia Segura, com todas as obrigações técnicas e legais associadas. Para quando a reparação da estrada florestal Quiaios-Mira, vergonhosamente votada ao completo abandono? A CM tem de intervir, pressionando as entidades competentes.

Finalizando – Ficámos perplexos com o anúncio da intenção de implantar um campo de golfe de vinte e quatro buracos! “Fazendo as contas” por alto, uma estrutura desta dimensão consumirá a mesma quantidade de água que consomem 10000 pessoas!

Numa altura tão sensível como a que vivemos, em que já se fala em racionamentos de água nos usos domésticos e não só, onde a seca se agrava sem fim à vista, com as perigosas alterações climáticas à nossa porta, cada vez mais palpáveis, é de bom senso aventar uma estrutura que, para piorar o cenário, serviria apenas para o divertimento de “meia dúzia” de pessoas com rendimentos muito acima da média? Temos a certeza de que seria um erro e um crime ambiental de monta».

 

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