MP pede condenação da jovem acusada da morte do namorado na Figueira da Foz

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O Ministério Público pediu, esta quinta-feira, a condenação da jovem de 22 anos acusada de espetar uma faca na perna do namorado, na Figueira da Foz, que terá causado a morte do companheiro, em 2021.

A jovem responde por um crime de ofensa à integridade física, que levou à morte do namorado, a 07 de março de 2021, causada por um golpe profundo de uma faca na perna da vítima, durante um conflito físico entre o casal.

Durante as alegações finais, que decorreram hoje, o procurador do Ministério Público defendeu a condenação da arguida pelo crime pelo qual é acusada, considerando que esta não teve “um comportamento defensivo” durante o conflito, alegando que, antes do golpe, a jovem também terá agredido a vítima.

O procurador desvalorizou o testemunho da arguida, que falou antes das alegações, classificando as suas declarações como de “incompreensíveis”.

“Os factos não podem ter sido como a arguida contou”, referiu, frisando que a arguida, ao ter ido buscar uma faca no seguimento do conflito, queria “ferir com gravidade” o namorado.

“Podia ter fugido de casa e pedir auxílio, mas decidiu recolher uma faca da cozinha”, vincou o procurador.

Antes, a jovem, que falou por videoconferência, referiu que o casal tinha um histórico de discussões e conflitos, tendo já sido chamados agentes da PSP em algumas ocasiões.

A arguida referiu que não agrediu o seu namorado, tendo levado vários murros na cabeça por parte da vítima, quando estavam no quarto.

De seguida, alega, foi à cozinha, onde agarrou uma faca, para se defender, mas realçou que nunca a empunhou em direção ao namorado.

Apesar da insistência das perguntas por parte do procurador e do coletivo de juízes, a jovem não conseguiu explicar como é que ocorreu o golpe na coxa do namorado, referindo que os dois lutavam pela posse da faca e que terá sido na sequência dessa luta que a faca foi espetada.

Posteriormente, referiu que fugiu para fora de casa, sem se aperceber do que tinha acontecido, tendo voltado apenas algum tempo depois, quando ouviu o namorado a pedir por ajuda.

“A faca esteve sempre na minha mão, mas eu não vi a faca espetada na perna. Eu não sei se a faca saiu da perna dele. Eu não vi, não me apercebi”, disse.

Nas alegações, a defesa salientou que as lesões registadas no corpo da vítima (para além do golpe) poderão ter resultado das agressões provocadas pelo namorado.

A advogada realçou que o ofendido, mesmo perante a namorada com uma faca na mão, “não recuou e enfrentou-a”.

“Ela estava a defender-se”, sublinhou, acrescentando que o próprio perito em sede de julgamento considerou que o golpe poderá ter sido acidental e resultado de um conjunto de forças – a da arguida e a do ofendido a tentar puxar a faca para si.

A advogada de defesa frisou ainda que o tribunal não pode esquecer a dinâmica de todo o processo e de uma situação que poderia ser enquadrada num contexto de violência doméstica.

“A arguida nunca teve intenção de usar a faca”, concluiu, considerando que só pode ser feita justiça caso a jovem seja absolvida pelo coletivo de juízes.

A leitura do acórdão ficou marcada para 16 de dezembro, às 14h30.

 

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