Linha do Ou Este? – Opinião – António Carraco dos Reis

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Texto de Opinião

António Carraco dos Reis

Linha do Ou Este?

Senhores passageiros, tenham atenção ao espaçamento entre as portas e a plataforma.

Obviamente que a Linha do Oeste marcou um momento muito significativo na Figueira da Foz. À época foi o ponto de encontro e de partida de diferentes indivíduos que, de uma maneira ou de outra, têm ou tiveram mais que um ou dois caracteres de influência na escrita da história da Figueira da Foz.

Encontros e desencontros esculpem constantemente as nossas vidas, a das coisas e a das instituições das coisas e das pessoas.

Coisa curiosa seria o menos óbvio ressurgimento do apeadeiro semanal da Linha do Oeste nas bancas da Figueira da Foz.

Quem poderia devolver a vida a este título? Quem seriam os “quens” junto dele? Heráclito defendia que nenhum homem pode entrar duas vezes no mesmo rio, isto certamente não se aplica a comboios – ou aplica? O comboio será o mesmo? Ou sim ou não. E o Homem? Não e não. O Homem parece ser como o rio que o pai da dialética usa no seu pensamento.

A plataforma é um local de espera, plano e inerte. O comboio é símbolo de potência, movimento e agilidade. E no meio? No vazio pode haver o vazio ou a sua negação. Como não sei, não invento, observo.

Sou um leitor liberal dos OCS, também dos que pincelam sobre a minha terra. Gosto de ver bom trabalho, gosto de aprender e de atualizar-me. Compro para ler quando quero ler. Sigo para conhecer. Numa eventual Linha do Ou Este manterei o meu comportamento: comprarei, lerei e seguirei.

O que há de comum entre horário/calendário/agenda de um apeadeiro antigo e outro contemporâneo (ou de futuro próximo) da mesma Linha? Pois é… Que seja mais que isso é o que desejo. Robert A. Heinlein e Milton Friedman usaram as letras e os números para nos avivar um conselho alusivo à degustação e saciação.

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