Os Professores – Opinião – Maria Isabel Sousa

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Texto de Opinião

Maria Isabel Sousa

Os Professores

Remonta à Antiguidade a valorização e o reconhecimento social da figura do professor. Da Antiguidade Clássica, da Hélade (Grécia), chega-nos o termo “Pedagogo” ou Paidagogos, palavra grega formada pela junção das palavras paidós (criança) e agogôs (condutor). Portanto, pedagogo significa “o condutor de crianças”, aquele que o ajuda a aprender. A função de pedagogo podia ser desempenhada por um escravo culto, que se encarregava de uma função considerada de grande relevância: dar formação (Paidéia) intelectual e cultural. O pedagogo tinha uma missão importantíssima: levar o aluno à escola, acompanhá-lo e certificar-se que o filho do cidadão cumpria as tarefas que lhe eram solicitadas. Em Atenas só os filhos dos cidadãos (uma minoria com direitos cívicos) frequentavam a escola e aprendiam um vasto leque de conhecimentos, desde a gramática, à matemática, à retórica, à poesia, à música, à ginástica, tendo em vista a formação do futuro cidadão que participaria na Democracia Direta da cidade de Atenas. O aluno era, portanto, exclusivamente do sexo masculino e pertencia a uma minoria dentro da extensa sociedade Ateniense.

A cristianização do mundo Ocidental, após a queda do império Romano, fez emergir o Clero como grupo social culto, ao quais estava entregue, exclusivamente, a função assistencial, religiosa, mas sobretudo educativa. O ensino, ao longo da Idade Média e Época Moderna, foi completamente influenciado pela Igreja e pelo Clero. Primeiro, as escolas da Igreja destinavam-se a futuros clérigos. Mas tarde, por influência de movimentos como o Renascimento, o Iluminismo e os Movimentos Liberais, filhos de nobres e burgueses começam a frequentar as escolas, conscientes de que o saber representava poder.

Chegados ao séc. XX, o ensino ainda era ainda privilégio de alguns. As mulheres, muito raramente frequentavam a escola. O Republicanismo, em Portugal, fez da instrução o seu “cavalo de batalha”, laicizando a escola e incentivando todos a aprenderem, mesmo que fossem os simples rudimentos das letras e dos números, tendo em vista a criação de cidadãos críticos e ativos. Os professores eram poucos, pelo que eram considerados um grupo de elite, muito respeitados e mesmo venerados nas suas comunidades.

No final do sec. XX, em Portugal, como no mundo ocidental, o ensino democratiza-se (e bem). Começam a chegar às universidades jovens provenientes de famílias em que ainda não existia, até então, nenhum licenciado. Muito cursos Universitários vertiam no ensino milhares de professores. Todos os que escolheram, nessa altura, esta profissão, não foram atraídos por promessas de grandes salários, nem por enriquecimento ao longo da vida. A maior parte seguiu esta profissão como uma missão, como o cumprimento de uma vontade pessoal, um desejo de mimetizar os professores que os marcaram pela positiva, ao longo da sua formação. Procuravam dignidade, uma vida melhor dos que os seus pais, um sonho de ensinar e formar jovens que um dia seriam o que eles quisessem. O professor tem essa magia, de acompanhar/ensinar os jovens até à sua autonomia, até entrarem no mercado do trabalho.

O professor é uma figura fundamental. É ele que constrói as bases do conhecimento de todos os que, no futuro, irão desempenhar todas as profissões existentes no presente, ou que surgirão nos anos vindouros.

De há uns anos a esta parte, a classe dos professores tem vindo a ser alvo de ataques vis vindos de todos os quadrantes. Os baixos salários, as obrigações crescentes, as deslocações, as colocações longe dos locais de residência, a dificuldade de progressão nas carreiras… têm sido motivos que desesperam aqueles que se encontram ainda a exercer e que desmotivam os novos a escolherem esta profissão.

Brevemente existirá falta de professores. Os alunos poderão correr o risco de esperar para ter um educador, professor titular ou professor de disciplinas específicas. 

Esperemos que esta tendência não se chegue a concretizar.

Para tal, o professor tem de voltar a ser valorizado, respeitado e tratado com justiça por todos os quadrantes sociais, institucionais, políticos, familiares… para o bem da continuidade de uma instituição milenar e que, até prova em contrário, tem sido estruturante na formação dos cidadãos.

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