História de um salvamento nas ondas da Figueira

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Câmara aprova Louvor e Reconhecimento para Luís Barraca Pereira

 

Foi aprovada na reunião de Câmara do passado dia 19 de Abril, por unanimidade, a proposta de atribuição do Voto de Louvor e Reconhecimento a Luís Filipe Barraca Pereira que, a 31 de março de 2021 “numa atitude de elevado altruísmo”, salvou uma jovem de afogamento na praia do Relógio.

A Figueira TV / Revista Foz falou com o herói acidental para saber exactamente o que aconteceu.

 

«Estava a correr de Buarcos para a Figueira e, nesse dia, decidi ir pela areia, junto ao mar, descalço e a ouvir música com auscultadores. A praia estava cheia de miúdos, nas férias da Páscoa, muitos na água. Em Buarcos não há problema, é calminho, mas à medida que avançamos para a Figueira já se sabe que o mar vai ficando cada vez mais bravo», conta.

«Ia a correr e a pensar nisso, com vontade de dizer aos miúdos que saíssem da água mas sem o fazer», prossegue. Quando chegou à zona do molhe viu um grupo de garotas, ainda na areia, a olhar o mar revolto e pensou, ele, que em tempos foi nadador-salvador, ‘eu é que não me metia ali’. O homem de mochila às costas que se cruzava com ele naquele instante parecia pensar o mesmo. Passados uns minutos, quando já tinha dado a volta e se preparava para iniciar o caminho de regresso a Buarcos, percebeu que uma das miúdas, 16 anos talvez, tinha mesmo decidido ir para a água. «Mergulhou uma vez e veio à tona, mergulhou a segunda a tapar o nariz e ainda subiu, a tentar segurar o biquini, mas à terceira foi atirada com toda a força», recorda.

Teve apenas tempo de gritar às amigas da rapariga em apuros que não saíssem da areia, enquanto se desfazia do telemóvel e dos auscultadores e procurava a jovem no local onde a vira cair do emaranhado da onda. Encontrou-a agarrada à areia, ainda consciente, ainda a tentar segurar o biquini, mas à mercê das ondas seguintes, quase sem forças, de cabelo cheio de areia e tendo já engolido demasiada água do mar. «Consegui puxá-la para cima, pedi-lhe que me ajudasse e, entretanto, surgiu o senhor da mochila, que era socorrista, dos bombeiros, não sei se municipais ou voluntários e tenho imensa pena de não ter memorizado o nome dele porque foi muito importante nisto tudo, levantou-lhe a cabeça e as pernas, tinha um aparelho de oxigenação que a fez ganhar tempo… pouco depois apareceram dois elementos da GNR de folga que também foram impecáveis, chamaram o INEM, que logo pelo telefone nos ajudou a assistir a miúda, enfim, começou a correr tudo bem, todos ajudaram», resume.

«A preocupação da menina era que não dissessem aos pais, mas naturalmente teve de ser e, no dia seguinte, o pai ligou-me a agradecer… já fomos todos jovens, mais do que zangados com estas coisas, temos é medo do que lhes possa acontecer. Se eu pudesse falar com quem de direito, e com esta distinção talvez possa, o que pedia é que nestas alturas de férias, mesmo sem nadadores-salvadores, haja quem ande nas praias a avisar os miúdos, a dizer-lhes para não irem para a água», desabafa. Foi o que Luís Filipe fez no caminho de regresso a Buarcos, depois do salvamento que lhe animou a manhã. «Fui o caminho todo a gritar aos miúdos que saíssem do mar», conta, a rir. Antes passar por adulto paranóico perante um grupo de adolescentes do que ficar com um peso na consciência, não é?  

 

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