Como vai ser a Universidade de Coimbra na Figueira da Foz? – BE reuniu com Reitor e explica

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O Bloco de Esquerda refere que “depois de na última sessão da Assembleia Municipal questionar o Presidente do Executivo sobre a instalação de uma unidade de ensino superior da Universidade de Coimbra na Figueira da Foz e de não obter respostas satisfatórias da parte do próprio, resolveu agendar uma audiência com o Reitor da UC para esclarecer todas as incongruências sobre este processo e poder transmitir a verdade sobre o mesmo aos figueirenses”.

Da audiência com o Reitor da Universidade de Coimbra, decorrida a 22 de julho, destacam algumas informações detalhadas. “Apoiamos todas as iniciativas que visem a atrair para a Figueira atividades de investigação e/ou ensino superior. Não obstante, é claro para o Bloco de Esquerda que o atual executivo e o movimento FAP têm comunicado com os figueirenses de uma forma no mínimo inexata e por vezes até enganadora”, considera o BE.

Da audiência com o Reitor da Universidade de Coimbra O Bloco de Esquerda destacam as seguintes conclusões:

  1. Atualmente está em curso entre a Câmara e a UC a elaboração de um protocolo que visa definir as responsabilidades de cada parceiro relativamente aos espaços futuros a virem a ser ocupados pela UC, numa bem-vinda estratégia de expansão da sua presença na Figueira da Foz. Este está pendente da resposta do Executivo Camarário e enquanto não for assinado a UC não poderá tomar alguma iniciativa relativamente a esses espaços;
  2. Numa primeira fase, o espaço que ficar a cargo da UC servirá apenas para dar apoio aos alunos de formação avançada, investigadores e docentes da UC que já se encontram no nosso concelho em atividades relacionadas com o laboratório MARE ou com a Incubadora. Não servirão para novos cursos, não serão abertas novas inscrições para alunos que virão estudar exclusivamente para a Figueira e, sobretudo, não servirão para acolher um novo Polo da UC;
  3. Legalmente, as universidades não podem abrir novos polos, ao contrário do que sucede com os politécnicos. As universidades podem sim abrir novos campus universitários ou extensões. Os polos têm uma autonomia que os campus não têm. A diferença não é apenas de semântica, embora a instalação de um campus seja de qualquer forma um acontecimento muito positivo para a Figueira;
  4. A abertura de novos cursos a serem lecionados na Figueira da Foz (no domínio da economia do mar e do ambiente) aos quais concorrerão novos alunos, esses sim com a obrigação de estudar permanentemente na Figueira, deverá obedecer a um longo processo de aprovação e de certificação dos cursos que passa por vários órgãos da UC (faculdade, senado, conselho diretivo, conselho geral, etc.) e pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Só depois deste longo processo poderão ser abertas matrículas para cursos a ser lecionados num futuro campus da Figueira da Foz. Este é um processo longo que pode durar na melhor das hipóteses dois anos, mas que em geral é mais longo. Quer isto dizer que não haverá certamente campus com ensino de novos cursos na Figueira da Foz antes de setembro de 2024;
  5. Foi com agrado que constatámos que o Senhor Reitor nos apresentou uma visão consistente a longo prazo, começando pela consolidação e pelo reforço das atividades de investigação que já decorrem na Figueira associadas ao laboratório MARE, para posteriormente ser alargada a oferta de investigação e eventualmente ao ensino superior à medida que os resultados forem surgindo. Deste modo, evita-se a abertura apressada de cursos para os quais poderá não haver procura e a triste repetição do encerramento de unidades de ensino superior que já conhecemos no passado. O objetivo será de, num horizonte temporal mínimo de 10 anos, a Figueira ter um campus com algumas centenas de alunos com capacidade de ensino e/ou investigação equivalente a uma faculdade.

«Em suma, apesar de apoiarmos todas as iniciativas que visem atrair para a Figueira atividades de investigação e/ou ensino superior, é claro para o Bloco de Esquerda que o atual executivo e o movimento FAP têm comunicado com os figueirenses de uma forma no mínimo inexata e por vezes até enganadora (ex.: intervenção da FAP na última Assembleia Municipal sobre a instalação do “polo” da UC na Figueira ainda este ano), criando falsas expetativas aos figueirenses e às instituições e empresas que poderão eventualmente beneficiar da instalação de um campus da UC na Figueira da Foz. Da nossa parte estaremos sempre disponíveis para ajudar neste processo, no entanto defenderemos a Figueira e os figueirenses em todos os momentos que acharmos que este assunto possa estar a ser instrumentalizado para campanhas eleitorais futuras (presidenciais ou locais) ou outros fins que não sejam o desenvolvimento do concelho» – conclui o BE.

 

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