Carta Aberta ao Sr. Presidente Pedro Santana Lopes – Opinião – Pedro Miguel Jorge

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#33cccc;”>Carta Aberta ao Sr. Presidente Pedro Santana Lopes

 

Caro Sr. Presidente,

Dirijo-me a si desta forma aberta no sentido de comunicar consigo sobre assuntos que nos aproximam e nos dividem relativos à cidade e concelho que servimos, em funções completamente distintas, mas com a certeza de estarmos ambos empenhados em procurar o que achamos melhor para os destinos do nosso município.

Aproveito o simpático convite que me foi endereçado pela Figueira TV, que agradeço desde já publicamente, para me dirigir a si neste primeiro momento de opinião, desta vez com este formato de carta aberta, que servirá para lhe expor algumas das preocupações que sinto ou apenas reflectir sobre aquilo que nos une – a procura de um caminho de futuro para a Figueira e o seu concelho num mundo cada vez mais incerto.

Devo desde já esclarecer que o faço de forma pessoal, que só a mim me vincula, não tendo o partido que represento na Assembleia Municipal, o Bloco de Esquerda como sabe, sequer conhecimento desta minha iniciativa no momento em que escrevo – 2ª feira, dia 25 de julho. Olhe, se quiser, e já que simpaticamente referiu em duas ocasiões em reuniões de Assembleia termos o mesmo nome, encare esta carta como um contacto de Pedro Miguel para Pedro Miguel: com todo um mundo que nos separa mas, acredite, se calhar com um ou outro ponto de contacto, mesmo que isso possa parecer improvável. Da minha parte, celebro essa diferença, algo a que estou habituado no partido que represento.
Mas vamos a factos, não é verdade?

No passado dia 22 de Julho tive a oportunidade de ter uma conversa, juntamente com mais alguns membros da concelhia do B.E. da Figueira da Foz, com o Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, que simpaticamente nos recebeu. Foi uma conversa muito útil, em que tive a possibilidade de ser esclarecido em relação a questões que nos assaltavam relativas à vinda por si prometida de um espaço – vamos começar assim – da U.C. para a Figueira. Sem ponta de cinismo, Sr. Presidente, que não me conhece muito bem: saí da reunião, mais do que esclarecido, com uma sensação de algum entusiasmo relativamente à possibilidade de ter a Universidade de Coimbra na Figueira. É que, talvez já não se lembre, mas o B.E. tinha nas suas propostas nas últimas eleições autárquicas de Setembro de 2021, medidas que, não configurando especificamente a possibilidade de ter uma Universidade na Figueira, apontavam para a vontade de concretizações que trouxessem quadros qualificados para a nossa cidade, que aqui se fixassem e desenvolvessem a sua actividade em áreas de desenvolvimento relacionadas com aquelas que o Sr. Reitor inclusivamente referiu, a da economia do mar e a do ambiente, independentemente dos nomes que os cursos vierem a ter. E é isto que é factual, Sr. Presidente. Pode ser constatado por quem quiser dar-se ao trabalho de reler os nossos folhetos ou rever as intervenções públicas do nosso candidato à Câmara.

A fim de reforçar a minha concordância, em mais uma nota pessoal, posso mesmo contar-lhe que um dos meus filhos, que acabou agora o 9º ano e vai iniciar o Ensino Secundário em Setembro, pode muito bem vir a ser – quem sabe? – um dos primeiros alunos da extensão da U.C. aqui na Figueira, já que o horizonte temporal de abertura das primeiras licenciaturas deverá ser mais ou menos o mesmo da duração do seu percurso no secundário – 3 anos. Claro que há muitas condicionantes, como o seu percurso, classificações, escolha de curso, etc, mas … pode acontecer. Teria muitas vantagens, desde logo financeiras, para além de ele poder vir a ter a hipótese de contribuir para o desenvolvimento da sua cidade e do seu concelho.

Perante este cenário, deverá perceber perfeitamente que não esperava certas reacções veiculadas pela comunicação social e redes sociais diversas. Logo após a reunião com o Sr. Reitor contactei a pedido e fui contactado por três órgãos de comunicação social – Diário As Beiras, Diário de Coimbra e Rádio Universidade de Coimbra – no sentido de esclarecer os pontos focados na reunião. Essencialmente, esses pontos estão (muito bem) vertidos no comunicado à imprensa que a concelhia do Bloco fez no dia seguinte, sábado 23 de Julho, tendo eu tido sempre o cuidado de referir, nas conversas com os srs. e senhora jornalistas, que apoiávamos a medida na sua substância, pretendendo ajudar na reflexão sobre a forma, que nos pareceu sempre eivada de imprecisões, incorrecções e outras que tais. Em resumo, queríamos ajudar a esclarecer e a informar, não nos abstendo de comentar, como é óbvio, o percurso errático que a medida tomou aquando de várias referências públicas nada correctas, algo comum no confronto político democrático. Deixei isso muito bem vincado.

Não vou comentar o que os meios de comunicação fizeram do assunto, preferindo que conheça estes factos em primeira mão. Mas acredite que, mesmo à mistura com muitas opiniões de baixíssimo nível nas redes sociais, tivemos bastante gente a agradecer-nos, dizendo-se mais esclarecidos em relação a este assunto. E a nós isto parece-nos serviço público, não reconhecendo qualquer validade a críticas de “bota-abaixismo”. Nós, “bota-abaixo”? Até ao momento, no único órgão em que temos representação, a Assembleia Municipal, em cinco reuniões em que houve votações de medidas do Executivo ou moções do Movimento FAP (uma extraordinária em Novembro e as ordinárias de Dezembro, Fevereiro, Abril e Junho), votámos da seguinte forma:

A FAVOR – 10 vezes;
ABSTENÇÃO – 20 vezes (lembro, essencialmente o escolher não ter uma posição, pelos mais diversos motivos);
CONTRA – 3 vezes.
Esta contagem inclui uma votação a favor e outra contra de duas moções do Movimento FAP.

Dificilmente esta é uma oposição de “bota-abaixo”, do “contra porque sim”. Somos uma oposição responsável, que debate os assuntos, que decide em consciência, muitas vezes com discordâncias internas que só são saudáveis, mas sempre com o fim último de apresentar os nossos pontos de vista em relação aos assuntos em votação, de maneira a salvaguardar os superiores interesses do concelho da Figueira, respeitando ainda os 1041 eleitores que nos acharam dignos de lhes dar voz na Assembleia Municipal. É isso que tentamos fazer, Sr. Presidente.

Discordamos de si e do seu executivo muitas vezes, como deve calcular. Logo no seu discurso de tomada de posse, quando entre outras medidas anunciou a vinda de um polo da Universidade de Coimbra para a cidade, não o aplaudi. Não o aplaudi não porque discordasse de si, como já referi, mas porque tinha quase a certeza de que as coisas não se processam assim, com estes horizontes temporais. Não sabia ainda que não podia ser um polo, o que agradeço ao Sr. Reitor, mas essa questão não é meramente semântica, como debatemos na última reunião da Assembleia. É de substância, pois implica decisões futuras relevantes, e é isto que todos devemos conhecer, para tomarmos decisões informadas. Aliás, folgo em saber que, neste fim de semana que passou (23 e 24 de julho), já publicou texto numa sua página pessoal, salvo erro, em que utiliza a palavra extensão para designar o que vai ser iniciado aqui na Figueira, tudo indica em Setembro. Pode ser que seja um primeiro passo para reconhecer que, de algum modo, já contribuímos para que esta questão tome um rumo mais consentâneo com a importância que terá para o nosso município.

Desta forma, penso que posso sentir-me à vontade para lhe dizer que poderá sempre contar com a nossa oposição – responsável, o mais informada que nos for possível, e sempre com o intuito de melhorar a vida dos munícipes da Figueira, mesmo que o caminho para lá chegar seja muito diferente do do seu Executivo e do Movimento que o apoia, como vai ser quase sempre.

Assim, posso talvez despedir-me citando um dos grandes clássicos do cinema que tenho a certeza que aprecia, o Casablanca, dizendo que, dentro da nossa oposição mútua, isto “pode ser o início de uma bela amizade”. É claro que, no final de contas, poderemos não ter Paris, mas teremos … a Figueira.

Fiel, cordial e democraticamente seu opositor,
Pedro Miguel Jorge

 

 

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