A Terra da Bosta! – Opinião – Rui Duque

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Texto de Opinião

Rui Duque

A Terra da Bosta!

É um subterritório que atravessa os concelhos limítrofes de Figueira da Foz, Cantanhede e Montemor, o qual e durante muitos anos, teve como principais fontes de subsistência da população, a agricultura de minifúndio, a criação de animais e a exploração leiteira. 

A Terra da Bosta, assim designada pelos forasteiros que, atravessando as estradas e caminhos gandareses, experienciavam no olfato um odor peculiar e nos movediços obstáculos estradais desagradáveis lembranças, foi madre de gerações de homens e mulheres, muitos dos quais, para sobreviver, foram também jornaleiros, migrantes caramelos ou emigrantes.

Assim, se aos homens, erguendo-se de madrugada com o mata bicho, cabia a primeira rega ou sementeira, o primeiro alimento aos animais e a saída de casa para “ganha pão”, com regresso ao fim do dia para os restantes afazeres do “trabalho sol a sol”; às mulheres e crianças (que pouco tempo tinham para o ser!), impunha-se o governo caseiro da casa, atividade agrícola continuada e exploração (da pequena) pecuária. 

Praticavam, já então, as mulheres, de modo intuitivo e necessário, na gestão da família e dos filhos, de forma racional, necessitária e imaginativa, o moderno princípio da reciclagem /inexistência de desperdício, com vital importância da cozinha gandaresa, elemento central de vivência e d(n)os estábulos, enquanto maior riqueza familiar. 

Este Ser Gandares(z), que se foi modificando com a saída para a cidade, sede do concelho, outras cidades portuguesas, ou países europeus, com acesso a estudos e profissões, mitigando raízes mas não laços sentimentais à origem, sempre regressando nas férias e no final do ciclo de vida, manteve-se enquanto traço identitárioGANDAREZ” , o qual por vezes, é vitima da apreciação depreciativa  (vidé titulo da presente crónica), justificadora de cautelas no trato social: complacência de outros de uns, agressividade de outros, na relação com os poderes dominantes e alguns “cantos de sereia”!

Estamos perante gente grata e orgulhosa do sacrifício e da batalha guerreira dos seus antecessores, que ainda não aprendeu a defender coletivamente o território gandarês, as suas memórias e tradições, perante os poderes públicos.

Como elemento probatório é comum verificar na estatística do investimento, benefícios públicos ou obra projetada – programada, a irrelevância deste subterritório, numa lógica não sustentável de governança para os votos, com tendência a manter-se o padrão com a diminuição de habitantes da gândara para locais de maior conforto e oportunidades!

É opinio communes intramuros que A Gândara da Figueira da Foz deve ser considerada como PARTE nas decisões estratégicas dos poderes locais, por mérito e dimensão territorial, sendo hoje completamente inócuo falar-se de “terra da bosta”, sendo exigível aos seus representantes essa assertividade, o que aqui se propõe à laia de reflexão.

Nota final: Compare-se este Subterritório Gandares(z) com os restantes territórios da Gândara, para além do Concelho da Figueira da Foz, e veja-se a reconhecida diferença na evolução e sucesso!

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