Direita, Esquerda e Centro – Opinião – Maria Isabel Sousa

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#808080;”>Texto de Opinião

#33cccc;”>Maria Isabel Sousa

#33cccc;”>Direita, Esquerda e Centro.

 

 

 

Como professora de História, constato que os alunos do 3.º CEB., e mesmo do secundário, têm dificuldade em compreender as diferenças, no espectro político, entre a Direita, a Esquerda e o Centro.

Não obstante, muitos adultos também têm a mesma dificuldade. Mesmo alguns políticos muito conhecidos desconhecem a ortodoxia da génese dos seus partidos, assumindo pertencer a fações políticas de uma ala, quando na sua origem a matriz ideológica não condiz com princípios que defendem. Não é uma discussão fácil…
Para percebermos a origem desta nomenclatura, podemos recuar à França revolucionária de finais do séc. XVIII. Perante as convulsões sociais que opunham os privilegiados (clero e nobreza) e o 3.º Estado, a eclosão da revolução foi inevitável, em 1789. A crise económica que afetava o país e a hostilidade face aos privilegiados e ao rei, fizeram com que este aceitasse a criação de um novo órgão político, com poderes reais de aprovar leis e estabelecer as novas regras do país: a Assembleia Nacional Constituinte.
Nesse órgão, o primeiro grupo com a alta burguesia, sentavam-se numa ala à direita, enquanto o 3.º estado (povo) e a pequena burguesia, ocupavam a ala esquerda.
As ideologias de direita e a esquerda apresentam as suas principais diferenças, sobretudo no que concerne aos direitos dos indivíduos e no papel do governo. De uma forma simplista, assume-se que a esquerda acredita que a sociedade fica melhor quando um governo tem um maior papel, garantindo direitos e promovendo a igualdade entre todos. Já a direita assume que a sociedade progride quando os direitos individuais e as liberdades civis têm prioridade e o poder do governo é minimizado.

É certo que os conceitos de direita e esquerda mudaram bastante desde que foram criados e que hoje a linha entre eles é muito ténue. Mesmo assim, podemos estabelecer algumas diferenças. A esquerda defende um Estado interventivo, que tenta fazer da sociedade um lugar de oportunidades iguais para todos. A direita prefere um estado não interventivo, a fim de permitir espaço para a iniciativa individual (privada). A esquerda luta pela igualdade dos salários, maiores impostos sobre os mais ricos e gastos mais elevados do governo com programas sociais, infra-estruturas e mais regulação dos negócios pelo Estado.

A esquerda espera, ainda, que o governo garanta o bem-estar social, por isso, os seus gastos nessa matéria são elevados. A direita, por seu turno, advoga impostos mais baixos, menor regulação de empresas e a redução da despesa pública. Neste âmbito, defende a redução de gastos do governo, que passam pela quase extinção dos programas de assistência social. A esquerda aposta no acesso aos cuidados de saúde como um dos direitos fundamentais de todos os cidadãos, devendo este bem ser garantido pelo Estado.

A direita, por seu turno, opõe-se à expansão de programas de saúde do governo e abre esse setor à iniciativa privada. Quanto ao tema fraturante do aborto, e de outros relativos à sexualidade, a esquerda é geralmente a favor de políticas de planeamento familiar, legalização do aborto, da igualdade de género, do casamento gay e da promoção de leis contra qualquer tipo de discriminação. Por outro lado, a direita é geralmente contra o aborto, possui uma moral em conformidade com os valores mais conservadores e religiosos, opondo-se igualmente às liberdades ligadas à sexualidade. De uma forma simplificada, costuma dizer-se que a esquerda é sinónimo de mudança e transformação (são considerados revolucionários, pretendendo destruir o status quo vigente), enquanto a direita é considerada conservadora (batendo-se pela defesa da manutenção do estado de coisas). Ao longo do século XX, consolidou-se a uma perceção de que a direita seria conservadora nos costumes e liberal na economia (mais favorável à iniciativa privada e menos à presença do Estado); enquanto a esquerda seria progressista no que se refere aos costumes e mais favorável a intervenção estatal, seja na economia, ou noutras esferas da vida.
Em muitos círculos da direita, a tese comum é que a geração de riqueza através de uma iniciativa privada livre e forte seria o suficiente para superar as desigualdades ou, pelo menos, reduzi-las significativamente. Já na esquerda, a ideia é que o Estado deve intervir, principalmente, a favor dos menos favorecidos, de modo a evitar que o fosso da desigualdade aumente e, posteriormente, conduzir a sociedade a uma condição igualitária. No entanto estes dois paradigmas económicos, políticos e sociais não são estanques, pelo que podemos encontrar, na história, exemplos de governos à esquerda ou à direita que adotaram medidas comumente identificadas com o espectro oposto, por necessidade, ou por outras motivações, mais prementes.
Do mesmo modo, é possível encontrar pessoas identificadas com a direita que defendem um Estado mais forte na economia, porém são conservadores em questões como família ou casamento; ou liberais em todos os aspetos da vida privada à economia.

E o centro, onde está no meio disto tudo? O centro procura uma conciliação entre o
capitalismo/liberalismo económico com medidas de caráter social. Está a meio caminho da direita e da esquerda. Ao centro é espectável que dialogue e aplique as ideias dos dois lados, ora tendendo mais à esquerda (centro-esquerda), ora tendendo mais à direita (centro-direita). Um partido ou indivíduo ideologicamente centrista não defende nem capitalismo nem socialismo absolutos, na defesa da necessidade de conciliar capitalismo com atenção às carências sociais numa democracia, podendo ser, em termos culturais, mais  liberal. Na visão da política de centro, não deve haver extremismos ou intransigências na sociedade. Os seus principais valores são: oposição ao radicalismo, sustentando-se num equilíbrio gerador de tolerância para uma eficaz coesão social.
Nos extremos da direita e da esquerda encontram-se regimes que em temos ideológicos seguem uma ou outra corrente, não sendo, em ambos, casos regimes democráticos, assumem formas e métodos muito semelhantes, típicos das ditaduras. Estes regimes, quer de extrema-esquerda, quer de extrema-direita laboram para a sua perpetuação no governo, caraterizando-se por pontos comuns: governos regidos por uma pessoa ou entidade política onde não há participação popular; o poder político concentra em si os principais poderes: poder legislativo, executivo e judicial; o regime é autoritário (controla os cidadãos, persegue e elimina os opositores). Normalmente este tipo de governos são nacionalistas, militaristas e imperialistas. Existiram (e ainda existem) tantos exemplos ao
longo dos séc. XX/ XXI. Um boa literacia cívica e política é urgente, para que os cidadãos possam escolher em consciência e não abandonem a via democrática, que mereceram esforços titânicos aos países que se bateram para a alcançar.

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