Saramago! – Opinião – Silvina Queiroz

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Ainda tenho nos ouvidos, não só na memória remota, o discurso de José Saramago há vinte e quatro anos, nesse glorioso Outubro de 1998, aquando da atribuição do Prémio Nobel da Literatura, galardão máxima das letras. Não o poderia esquecer de tão sensível, belo e emotivo que foi. Os que o escutaram presencialmente, à distância via TVs, na hora ou após e não conhecessem nada da sua vastíssima obra, o discurso seria o suficiente para entenderem o motivo da escolha de Saramago por parte da Academia Sueca. Nesse inolvidável discurso assumiu-se como sempre foi: inteiro, digno, profundamente ligado e extremamente orgulhoso das suas origens humildes, que jamais renegou e de que emergia a matriarca da família, a avó Josefa.

O que se poderá dizer de Saramago que não tenha sido já por demais repetido?! Mas não poderia eu deixar de me debruçar sobre esta figura incontornável da nossa Cultura, no centésimo aniversário do seu nascimento, na pequena aldeia de Azinhaga, Golegã. Nascido a 16 de Novembro mas registado dois dias depois, o menino José herdaria o nome pelo qual era conhecida a família: Saramago, antes de nome uma alcunha. Saramago é uma plantinha rústica, humilde e despojada como eram os Saramagos que lhe usavam o nome. Nada mais condizente com a índole daquela gente paupérrima mas rica em dignidade e inteireza.

Com Saramago houve o reconhecimento universal da prosa em língua portuguesa mas o escritor não se confinou a esta forma de escrita: escreveu também poesia, inspiradíssima como não poderia deixar de ser. O seu génio, grande como ele próprio fisicamente, viajou pelo romance, o conto, a novela, o teatro, o ensaio…  Por “falar” na sua figura imponente, apesar da sua magreza… lembro uma das três vezes em que estive perto do escritor. Ao lado de José Cardoso Pires, seu amigo de sempre. E que contraste engraçado: a torre e a casinha dos anões da Branca de Neve, mas ambos mágicos, cada um no seu estilo e género. Outra vez foi numa Festa do Avante – de coração aos pulos fui até ele para que me autografasse uma obra. Nunca esquecerei o seu sorriso afectuoso e cúmplice. Outra, assistindo a uma mensagem vídeo enviada à Festa, pedindo desculpas por não poder estar presente, dado o seu estado de saúde, já muito debilitado. Que Homem!

Honra a José Saramago! Honra à Cultura, tão menosprezada no nosso País que tudo tem para ser admirável! (Perdoa-lhes Pai mas eles sabem o que fazem!)

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