Arraial de Santo António com Quim Barreiros na Misericórdia – Obra da Figueira

0
187
Pub

O popular cantor Quim Barreiros continua a honrar a tradição de mais de duas décadas e anima este domingo, 12 de Junho, o arraial da noite de Santo António, nas tradicionais festas promovidas pela Misericórdia – Obra da Figueira da Foz.

Como lembra Joaquim de Sousa, provedor da Misericórdia, Santo António foi o primeiro padroeiro da Figueira da Foz (substituído depois por S. Julião), com a instituição secular a ter o templo do antigo Convento de Santo António, fundado no ano de 1527, por Frei António de Buarcos, – “rellogiozo de grande vertude – com o apoio dadivoso de D. João III e D. António Fernandes de Quadros, Senhor de Tavarede, ali sepultado em 1540, por vontade testamental”.

A tradição não se perdeu com os dois anos de confinamento devido à covid-19 e regressa com mais vontade e vitalidade neste domingo ao Pátio de Santo António (Largo Silva Soares), com música para dançar a partir das 20h00, com Carlos Rodrigues, num espaço com muitos petiscos e sardinha assada, onde também se pode apreciar, no átrio da Igreja, trabalhos das crianças da Creche e do Jardim-de-Infância.

Com a vontade de sair, viver e conviver, não será difícil prever que se ultrapasse as mais de 2.000 pessoas que estiveram no último arraial, conforme contas do provedor, tendo como atracção Quim Barreiros, que a partir das 22h30 volta a um palco que sempre foi seu. E no ano passado, com as festas canceladas, o popular artistas apareceu de livre e espontânea vontade para almoçar na Misericórdia, em dia de Santo António, para surpresa e encanto de todos.

O dia de Santo António, na segunda-feira, 13 de Junho, terá, pelas 15h30, a missa solene, celebrada por Carlos Noronha, pároco de Buarcos e capelão da Misericórdia, com a participação do Grupo Coral das Paróquias de Buarcos e Tavarede, terminando com a bênção e distribuição simbólica de pães e cravos.

Apoio a 500 pessoas

A Misericórdia – Obra da Figueira é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, resultante da integração, em 1976, da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz (fundada em 5 de Dezembro de 1839) e da Obra da Figueira (fundada em 1904).

O trabalho em prol de todos é concretizado nos dias de hoje, com a Misericórdia a ter 148 utentes a nível de idosos, 50 no Lar Silva Soares e 98 no Lar de Santo António. No Lar Costa Ramos residem 30 raparigas e a Creche e o Jardim-de-Infância são frequentados por 160 crianças. A isto tem de se acrescentar o Apoio Domiciliário e o Armazém Solidário, sendo cerca de 500 pessoas as apoiadas directamente pela Misericórdia.

Nas suas instalações destacam-se ainda o Auditório Afonso Ernesto de Barros, com capacidade para 200 pessoas, o recinto polivalente José Sotto Mayor e uma sala de formação, equipada com o mais actualizado material audiovisual e informático.

Igreja de Santo António

A instituição é proprietária da Igreja de Santo António, classificada como “imóvel de interesse público” pelo Decreto-Lei 95/78, de 12 de Setembro, e que está aberta ao culto diariamente.

Ao longo da sua existência multi-secular viveu a paz e a guerra, a abastança e a miséria, decorrentes da história pátria. Em 1580 foi devassada por tropas de Filipe II de Espanha, que praticaram roubos e atropelos, na sanha perseguidora ao paladino da independência nacional D. António Prior do Crato que, segundo boatos, ali se teria acoitado.

Em 1602, novamente a fúria guerreira quebrou a serenidade franciscana dos seus claustros. Dessa vez, por obra de tropa inglesa, em luta contra a coroa unida de Espanha e Portugal. Desembarcados, de sete naus, em Buarcos, saquearam as povoações, fazendo do Convento poiso e fortaleza pelo espaço de uma semana.

Durante muitos anos funcionou no Convento uma escola, dirigida pelos frades, onde se instruíram gerações de figueirenses, entre os quais o mais ilustre – Manuel Fernandes Tomás. Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o Convento entrou em decadência, vindo a ser adaptado a hospital, pela Misericórdia (fundada em 1839), depois de importantes obras que se prolongaram até 1886. Em 1982 foi, por sua vez, o velho Hospital da Misericórdia adaptado a lar da terceira idade, o actual Lar de Santo António, conservando daquele apenas a fachada principal, neo-clássica, própria do século passado.

(In “Campeão das Províncias”)

 

Pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui