Deus (ainda) tem futuro? – Opinião – Pr. Teo Cavaco

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Texto de Opinião

Pr. Teo Cavaco

Deus (ainda) tem futuro?

Há alguns meses fui desafiado, por um grupo de amigos de Leiria, a dar o meu contributo, numa série de conversas que estavam a promover, refletindo sobre questões relacionadas com a Inteligência Artificial (IA) e o rapidíssimo avanço científico e tecnológico que vivemos, subordinado ao tema provocatório que, nesta prosa inicial, aparece como título.

Fi-lo a partir de uma folha em branco, na altura não sabendo que o tema tinha sido abordado nos “Prós e Contras” da RTP ou que estava também a merecer atenção especial do padre Anselmo Borges, em livro que ainda não li; por outro lado, o que aqui reproduzo é uma síntese esquemática, na qual cada parágrafo é, tão-só, um contributo modestíssimo de reflexão e, se possível, de debate.

Os homens têm a capacidade única de raciocínio, mas o campo da IA vai bem mais além, tentando, não apenas compreender, mas também construir entidades inteligentes – ou seja, estamos a tentar, ser Deus?

Hawking, Musk, Wozniak têm avisado que a IA pode acabar com a humanidade como a conhecemos, quando/se for superada a barreira desta capacidade única do ser humano, sem controlo do seu próprio desenvolvimento e aplicação. 

Hoje, o posicionamento filosófico sobre a existência de divindade(s) e de entidade(s) sobrenaturais resulta de uma opção (ateísmo, agnosticismo, teísmo), mas nem sempre assim foi, já que do paradigma clássico greco-romano e judaico-cristão passou o Ocidente pela Idade Média, para, no séc. XIX do dogmatismo da ciência/positivismo Nietzsche, decretar a “morte de Deus”.

De facto, no âmbito do paradigma antropocêntrico que vivemos desde a Época Moderna, a verdade está com o homem (antropos), centro das atenções dos pensadores e dos cientistas, visto como acumulador de conhecimento oriundo das inquietações do quotidiano e capaz de descobrir, não só o modo de funcionamento da natureza através da experiência verificável, mas agora também avançando decisivamente para a sua dominação (paradigma ecocêntrico, no qual o qual o homem é um fio na grande teia da vida, cada vez mais vista como uma relação entre os homens e o seu meio ambiente).

Vivemos tempos de grande perplexidade sobre os caminhos percorridos e a percorrer: se por um lado nos encantam as façanhas da engenharia genética ou da medicina nuclear, temos de haver-nos com as sombras de desastres da ciência contemporânea; como Alguém disse, eis porque a ciência e a tecnologia se constituem nas glórias e nas sérias preocupações para o ser humano no presente século.

E como anda a fé, hoje?

Ansiada por muitos, a redescoberta da espiritualidade, no séc. XXI, tem uma relação estreita com o pós-modernismo e a necessidade de um grito de liberdade contra “as filosofias alienantes e as atitudes degradantes do homem da modernidade”, já que o desenvolvimento de novas formas de alienação, de escravidão e de degradação humanas levaram a uma sociedade, a famílias e até a igrejas… dramaticamente esvaziadas de Deus.

Ou seja: não estaremos a precisar de uma nova Reforma, de novo centrada na Palavra (Bíblia Sagrada)?

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