Uma Mulher! – Opinião – Silvina Queiroz

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Sou decididamente feminista mas sem aqueles arroubos, para mim incompreensíveis, do “queimar dos soutiens”, vestir-se obstinadamente “à homem”, ou fazer voz grossa como se tal impusesse maior respeito! Sou uma feminista muito feminina e bastante orgulhosa desta condição. Diferenciadora mas não portadora de qualquer traço de superioridade em relação ao sexo oposto. O Mundo é a cores e o facto de ser povoado por mulheres e homens, independentemente do seu sentir sobre a própria sexualidade, é o que lhe dá ainda mais cor e maior riqueza.

Nesta minha primeira incursão neste projecto, cujo convite muito agradeço, falarei
brevemente de uma Mulher extraordinária, uma das minhas poetas preferidas. Mas Rosalia de Castro, dela falo, não se limitou a viajar pela poesia; a sua prosa é igualmente inspiradíssima e tudo o que escreveu revelador da sua personalidade forte mas imensamente sensível, a par do seu pensamento claramente de inspiração socialista e republicano. Uma Mulher “à frente do “tempo”, livre de pensamento e acção, envolvida em causas e fóruns muito “território masculino”. Não teve vida fácil esta Senhora que a Galiza venera. Nascida de um amor fora do matrimónio – advoga-se que o pai seria um pároco influente – foi registada como filha de pais incógnitos, o que era absolutamente humilhante para as mentalidades da época. Aos cinco anos começa a viver com a mãe, que se teria despojado do estigma, “mandando às urtigas” as opiniões dos maldizentes. Rosalia teve uma esmerada educação e acaba casando com um intelectual respeitado, que nunca
tentou tolher-lhe a criatividade e o seu pensamento liberto de amarras. Tinham tudo para serem felizes mas o destino foi-lhes adverso. Rosalia perdeu dois dos seus filhos, um bebé de dois anos, vítima de uma fatal queda e a sua última menina nasceu sem vida. Rosalia estava já muitíssimo doente e a morte ceifa-a, no meio de intenso sofrimento, aos quarenta e oito anos. Vivia na altura em Padron, uma simpática cidadezinha galega. A habitação foi transformada em Casa-Museu e vale muito a pena visitá-la. Adorei!

Concluo com uma lembrança cara: “Cantar de Emigração”, na voz inconfundível do nosso Adriano Correia de Oliveira. Um tema profundamente crítico da situação social da Galiza, vazia de homens por necessidade de saírem do país para tentar uma vida melhor no estrangeiro. Adriano cantou sublimemente o poema, Rosalia emprestou-lhe toda a sua sensibilidade atenta e militante. Se se tivessem conhecido, poderiam constituir-se como uma dupla imbatível. A ambos a Morte roubou-os cedo demais. Mais uma injustiça da Vida!

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