Tanto areal? Um mundo de oportunidades – “Visita Guiada” – Opinião – Maria Isabel Sousa

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Texto de Opinião

Maria Isabel Sousa

Tanto areal? Um mundo de oportunidades – “Visita Guiada”

Lamentamo-nos, há décadas, do vasto areal da praia da Figueira da Foz. Como a caraterizou Ramalho Ortigão: “Nenhuma outra praia em Portugal possui as condições da Figueira da Foz para tornar agradável a estação dos banhos”, esta tem-se transformado numa praia menos frequentada, devido à difícil caminhada até à orla marítima, fator que se associa a outros condicionalismos.

Quando se edificou o Oásis, na praia em frente à Ponte Galante, iniciou-se uma política de embelezamento e fruição do areal, que deveria ter sido continuada. Entretanto, a falta de manutenção fez com que algumas das palmeiras plantadas nesse local secassem e se perdesse muito do investimento realizado. Contudo, o Oásis passou a ser um sítio de referência pela sua beleza, frescura e como quebra da paisagem árida da praia.

Mais tarde, a “política verde” deixou a praia ganhar uma vasta cobertura vegetal. Embora nos pareça aos olhos uma má decisão, pois o aspeto que ganhou foi o de um espaço descuidado e desleixado, temos que admitir que se trata de um método utilizado para a consolidação dos solos e potenciar, posteriormente, a sua ocupação. Esperemos, pois, que isso assim aconteça.

Por outro lado, o mobiliário urbano de betão, implantado na areia à torreira do sol, sem qualquer árvore para refrescar aquele espaço, faz com que se conclua tratar-se de uma despesa completamente inadequada e que em nada serve os visitantes da Figueira, ou os figueirenses. Haja imaginação… e na noite de S. João foi possível ver jovens a aproveitar o espaço para, a altas horas, comerem e beberem nesse local.

Mas, apesar de tudo, a faixa arenosa entre a Figueira e Buarcos, afigura-se, atualmente, um mundo de oportunidades. Basta lembrar que a cidade se encheu durante os recentes três dias de RFM Somnii. A Figueira da Foz, especialmente o seu areal, tem potencial para se tornar num polo central da vida desportiva, cultural e de laser. Não vale a pena chorar sobre o areal em crescimento, há que haver engenho e arte para o transformar num espaço vivo e vivido, com equipamentos que fazem falta à cidade e que a animariam ao longo de todo o ano: pistas de karts; um teatro ao ar livre para representações e outros eventos; um sambódromo com bancadas; lojas; cafés; restaurantes; uma piscina com água do mar, com todos os equipamentos afins; locais específicos para aulas de ginástica e dança; pistas de patinagem; campos e equipamentos para skate; campos de jogos; bowling; jardins; pontes; mais oásis; iluminação; arruamentos e muitos, muitos estacionamentos (que, atualmente, são manifestamente insuficientes, sobretudo quando recebemos os nossos visitantes, altura em que todos nós desesperamos por um lugar para estacionar o carro).

Mas atenção: todos estes equipamentos e melhoramentos a implementar, exigirão políticas de manutenção periódica, para poderem perdurar no tempo e serem utilizadas de forma sustentável.

A praia da Figueira tem potencial para atrair público todo o ano. O clima é excelente o ano inteiro e a vinda de turistas dinamizaria a vida económica local, pelo que os empresários agradeciam.

Acredito que, com imaginação, poderemos e deveremos fazer muito mais e melhor em prol da Figueira da Foz, que aguarda uma oportunidade para voltar a ser o epicentro turístico de Portugal.

Podem dizer que sou uma sonhadora, mas acreditem que não sou a única.

 

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