3. Portugal, Europa, Cidadania Global – Opinião – Pr. Teo Cavaco

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Texto de Opinião

Pr. Teo Cavaco

3. Portugal, Europa, Cidadania Global

Inicio aqui um exercício que compõe quatro partes, relativo ao tema-título, o qual me foi proposto, num contexto diverso, há alguns meses, não tendo as próximas linhas qualquer preocupação académica – procuram, tão-só, a ousadia de vos apresentar um contributo honesto e indutor de análise, de reflexão e, se possível, de debate.
Assim, nesta primeira parte, e antes de mais, vale a pena considerar:

a. O que é Portugal?
Adaptei de algo que li, há alguns meses, mas com data de 2016, e que mais não é do que tentar, despretensiosamente, a partir de algumas palavras, definir Portugal – neste caso, a partir da Figueira.
Assim, como definir um País que não se parece com qualquer outro, como definir os portugueses, que conseguem ser latinos com algumas características nórdicas, culturalmente sobretudo mediterrânicos, mas sempre a olhar para o Atlântico?

– Portugal é resistência
Somos o país com as fronteiras mais antigas da Europa, o primeiro a adotar a sua língua local como língua oficial; sobrevivemos contra todas as probabilidades a nove séculos de batalhas, guerras, terramotos e revoluções, e também à criação e à perda do primeiro Império global do mundo.

– Portugal é universal
Com uma costa tão convidativa, Portugal nunca se conformou com os limites das suas fronteiras, tendo sido o primeiro país europeu em grande parte da Ásia, de África e das Américas – assim, plantámos um pouco da nossa cultura em todos os cantos do mundo, o mais vasto Património Mundial da UNESCO espalhado pelo mundo por qualquer país – fortes, igrejas e muitos outros monumentos portugueses na China, Irão, Marrocos, Índia, Malásia, Quénia…

– Portugal é tempo
Fazer tempo e viver o presente é o que toma Portugal tão sedutor – na Figueira, no Alentejo, nos Açores ou em Lisboa começamos a sentir os ponteiros do relógio a passar mais lentamente para aproveitar o momento – o Tempo é um tesouro de Portugal.

– Portugal é individualidade
É mediterrânico, mas virado para o Atlântico, é ibérico, mas não é espanhol, é europeu, mas concentra-se mais no mar, é latino, mas com um temperamento reservado mais típico dos nórdicos. É um país cheio de alma, com uma rara individualidade.

– Portugal é descobertas
Portugal foi, há cinco séculos, o pioneiro dos descobrimentos e da exploração marítima, dando “novos mundos ao mundo”, mas a Figueira e o país continuam a ser terras de descobertas…

– Portugal é mar
Um pequeno retângulo à beira do mar que demora apenas duas horas a atravessar, da costa à fronteira – uma longa costa, com um imenso areal no nosso caso, e com portos, como o nosso, a servir de entrada e de saída da Europa.

– Portugal é azul
Pode pintar-se a palavra “Portugal” de azul! Essa é a cor que cobre o país, e não só por causa do Atlântico. É também a cor do céu, das nossas deslumbrantes lagoas, e dos azulejos de Delft da Casa do Paço.

– Portugal é pedra
Um dos aspetos mais curiosos e fascinantes de Portugal é o seu variado uso da pedra, nalguns casos a merecer um melhor cuidado de conservação deste património, desde a pré-história no nosso cabo Mondego ao dólmen das Carniçosas.

– Portugal é saudade
Usar “Portugal” e “saudade” na mesma frase pode já ser um lugar-comum, mas é verdade que uma palavra define a outra. Saudade é muito mais do que nostalgia ou melancolia, é paixão pela intensidade da vida, é aceitar o incompleto, é valorizar as conquistas, é gerar força dos bons e dos maus momentos.

Para a segunda parte ficam algumas brevíssimas considerações sobre “o que é a Europa?”.
Até lá.

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