A nossa própria Silly Season – Opinião – Mafalda Azenha

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#33cccc;”>A nossa própria Silly Season

No Reino Unido e na Irlanda, a silly season, digamos… “estação palerma” corresponde ao período de alguns meses de verão, caracterizado pelo surgimento de notícias frívolas na comunicação social. O termo foi cunhado num artigo datado de 1861, e foi inserido na segunda edição do Brewer’s Dictionary of Phrase and Fable. Permaneceu em uso no início do século XXI. A décima quinta edição de Brewer’s ilustrou o conceito, definindo a silly season como “a parte do ano em que o Parlamento e os Tribunais não estão sentados”.

Nos Estados Unidos, o período é referido prosaicamente como a estação de notícias lenta ou “slow news”. Os alemães chamavam-lhe sommerloch, ou seja, ‘buraco de verão’ e os franceses “la morte saison” ou a estação morta. Ou seja, não havia notícias.

Enfim, se o termo foi inventado em Inglaterra, rapidamente se espalhou por todo o mundo com mais ou menos o mesmo significado. No fundo, é a ideia de um período em que as instituições entram em período de férias e as pessoas se dedicam a tarefas de lazer e “glamour”, dando primazia à diversão.

E em Portugal? Melhor, na Figueira? Na Figueira todos os dias há notícias. Não fosse a silly season do querido mês de agosto, percebia-se que há, mas, tirando algumas exceções, a maior parte são, de facto (para utilizar a expressão) palermas. Palermas por falta de relevância ou interesse do conteúdo ou palermas porque aparecem recheadas de conteúdo, mas afinal, vai-se a ver e são mais como aqueles pães grandes e fofinhos. Sabem? Que nos entusiasmam a pensar que os vamos encher de manteiga, mas abrimos e estão vazios, sem miolo por dentro!  Abençoado sol e o calor de verão, esplanadas que voltaram a estar repletas e turistas por todos os lados, que nos ajudam a esquecer que estivemos dois anos fechados (ou se calhar já esquecemos porque achamos que isso é novo) e ao mesmo tempo que faz com que a “música” que nos dão, seja recebida de braços abertos, de mente relaxada, como pouco ou nenhum juízo critico ou sem qualquer desassossego (uns, porque no verão querem é ter o pensamento sossegado, outros porque habitualmente já não pensam). Muito embora ainda haja outros e até seja interessante (ou o que quiserem chamar) ver desfilar as suas opiniões. Daqueles que, com o orgulho próprio de quem sabe umas coisas mas não sabe tudo, se acha detentor da única verdade, e esquece-se que a realidade é muito mais do que aquela romanceada em peças de teatro que, ainda que encenadas com a maior das mestrias, como lá na minha terra, em Tavarede, pelo Mestre José Ribeiro, não encerram em si verdades absolutas, são antes uma das versões da história que, por ser assim, se torna ainda mais rica. Pois… Mas voltando ao tema… No verão, o bronzeado e a luz do sol engrandecem qualquer coisa, por mais pequenina que seja. Pior será quando chegar o inverno. Ao contrário da formiga, que não se deixou enganar, também a cigarra só quis saber de cantigas durante o verão e achou que isso seria suficiente. Festa é festa e ela é importante, claro! Mas, só isso? É muito pouquinho. A ver vamos, qual a desculpa dos encandeados, se o essencial começar a faltar no inverno. Também temos direito à nossa própria silly season. Não queremos é que ela dure o ano inteiro. Por enquanto, viva o verão, pois claro!

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